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Portugal Renewable Summit 2019: é urgente um compromisso

APREN

A APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis realizou no dia 28 de novembro a sua grande Conferência anual, Portugal Renewable Summit, dedicada ao tema "Da Transição ao Compromisso Energético".

O evento, que teve lugar no Museu do Oriente em Lisboa, contou com a participação de reconhecidos especialistas nacionais e internacionais no setor da energia renovável.

A abertura esteve a cargo do Presidente da APREN, Pedro Amaral Jorge, que lembrou que “as renováveis estão na ordem do dia” e que “o tema da contribuição das renováveis para a transição energética é cada vez mais relevante e notado”. A Secretária de Estado do Ambiente, Inês dos Santos Costa, aproveitou a sua intervenção para fazer uma pergunta a todos os portugueses: “Se de hoje para amanhã a nossa produção de energia fosse 100% renovável, do ponto de vista ambiental significa que eu posso ter a luz da minha casa sempre acesa?”.

Com esta questão, a SEA quis sensibilizar para o facto de que, apesar da eletricidade renovável ser um pilar chave para a descarbonização, toda a cadeia de valor do setor deverá ser assente numa base de economia circular, com um princípio de reutilização de materiais e matérias primas, minimizando ao máximo os impactos ambientais associados à exploração de recursos naturais, à indústria de produção de equipamentos, à geração, ao transporte e à distribuição de eletricidade. Defendeu ainda que deve haver uma redução dos consumos de energia, uma vez que “a única energia verdadeiramente limpa é a que não consumimos”.

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O primeiro painel, moderado por Júlia Seixas, Professora da FCT Nova, e dedicado ao tema “cidadania na transição energética”, abordou as alterações climáticas e o papel da digitalização e da regulação na adoção de novos modelos de negócio, que facilitem o justo acesso do cidadão à transição energética. Destacaram-se os impactos do CO2 e de outros GEE no clima como “uma realidade inegável” que se reflete, por exemplo, na acidificação da água dos oceanos, aumento da frequência e intensidade de fenómenos meteorológicos extremos, incêndios e desflorestação.

No segundo painel foram discutidas “ferramentas de financiamento e decisões de investimento”, com foco na geração de eletricidade a partir de energia solar, utilização de PPAs no financiamento de projetos de geração de eletricidade e análise das variáveis com maior impacto nas projeções de preços da eletricidade para 2030. Houve ainda lugar a um debate sobre o “financiamento de renováveis em ambiente de leilão”, moderado por Pedro Amaral Jorge, através do qual se tornou evidente o surgimento de novas abordagens, fontes, ferramentas e modelos de financiamento de projetos, para fazer face à crescente competitividade no setor da geração de eletricidade renovável.

A sessão da tarde começou com a entrega do Prémio APREN 2019, que distinguiu a tese de António Faria, aluno da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, com o tema "A Chance-Constrained Approach for Electric Vehicle Aggregator Participation in the Reserve Market". Destaque ainda para o segundo lugar obtido por Luís Costa, também da FEUP, com a tese "Integrating Hybrid Off-grid Systems with Battery Storage: Key Performance Indicators", e para as menções honrosas de Ricardo Silva (FEUP) e Pedro Centeno (FCT-Nova).

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Seguiu-se um segmento dedicado ao PNEC - Plano Nacional de Energia e Clima, em que o Diretor Geral da DGEG – Direção Geral de Energia e Geologia, João Bernardo, apontou o ordenamento do território, a atualização legislativa e a otimização das infraestruturas como os principais desafios que se colocam às metas e objetivos de descarbonização traçados no documento.

Durante a sua intervenção, partilhou, em primeira mão, o estado de emergência climática decretado nessa mesma manhã pelo Parlamento Europeu, resultado do impulso dado pela nova Comissão Europeia, presidida por Ursula Von der Leyen, que defende um compromisso mais ambicioso de redução de emissões de CO2 para 2030, passando de um objetivo inicial de 40%, para 55%.

No terceiro painel foram apresentados os “principais desafios do setor energético até 2030”, como a regulamentação dos mercados, a adaptação das redes ao novo paradigma energético e o repowering das centrais eólicas.

No final houve um debate sobre o “licenciamento em Portugal”, moderado por Ivone Rocha, Sócia da Telles Advogados, que contou com a participação do Presidente da APA, Nuno Lacasta, e do Presidente do ICNF, Nuno Banza, e onde se elencaram as principais dificuldades decorrentes do processo de licenciamento de projetos para geração de eletricidade renovável, assim como a necessidade de uniformizar procedimentos e otimizar o circuito administrativo do licenciamento, tendo sido identificada, de forma unânime, a necessidade de um maior entrosamento e diálogo entre as partes envolvidas, promotores e entidades oficiais.

 O encerramento do evento esteve a cargo do Secretário de Estado da Energia, João Galamba, que abordou o papel dos gases energéticos de fonte renovável – especialmente o hidrogénio – no caminho para a descarbonização; o desenvolvimento de um cluster energético em Sines; a conversão das centrais a carvão do Pego e de Sines para uma solução de geração renovável; a aposta do Governo nos leilões solares para 2020; a hibridização de projetos (dos parques eólicos existentes e de futuros parques solares) e o impacto que as comunidades de energia podem ter, sobretudo “nas cidades mais pequenas e do interior”.

Todos os oradores, júri e candidatos ao Prémio APREN receberam um certificado de plantação de dez árvores de espécies autóctones em áreas classificadas ou protegidas do território nacional, o que, segundo Pedro Amaral Jorge, pretendeu ser um contributo da Associação para “a preservação da biodiversidade e combate às alterações climáticas”.

O Portugal Renewable Summit 2019 contou com mais de 450 participantes – um recorde de assistências no que toca a eventos da APREN – divididos pelo Auditório principal e por uma sala complementar, onde a Conferência foi transmitida através de streaming.

Tendo em conta a importância do setor das renováveis para o nosso futuro, a APREN está já a preparar outros eventos para 2020, com os quais pretende reforçar ainda mais o diálogo entre todos os stakeholders.

Com JD Young & Associates