As previsões para o setor da impressão comercial e industrial em 2026 apontam para uma transformação estrutural, fortemente impulsionada pela maturidade das tecnologias digitais.
A impressão deixa progressivamente de ser encarada apenas como uma função operacional e assume um papel estratégico na eficiência produtiva, no controlo de custos e no cumprimento de objetivos de sustentabilidade.
Num contexto marcado por maior pressão económica, escassez de recursos humanos e matérias-primas, bem como por exigências regulatórias mais rigorosas, o setor entra numa fase de consolidação. As prioridades passam a centrar-se na integração digital, na automatização dos processos e num controlo mais rigoroso da produção.
Pedro Monteiro, Deputy Managing Director da Konica Minolta em Portugal e Espanha, diz: “em 2026, o setor da impressão vai passar por uma transformação estrutural, impulsionada pela maturidade do digital, pela automatização e por novas exigências regulatórias”. O responsável sublinha ainda que as empresas enfrentam desafios concretos, desde a pressão sobre os custos à escassez de recursos, tornando essencial a adaptação dos modelos de produção a uma realidade mais eficiente e resiliente.
No conjunto, as tendências que marcam o setor da impressão em 2026 confirmam uma mudança profunda na forma como as empresas produzem, gerem recursos e criam valor. A consolidação do digital, a automatização, a inteligência preditiva e a sustentabilidade definem um novo paradigma produtivo, mais flexível e alinhado com as exigências do mercado.
Produção digital como modelo dominante
A principal mudança prende-se com a afirmação da produção digital como modelo dominante em vários segmentos. A transição do analógico para o digital acelera, impulsionada pela procura de maior flexibilidade, tiragens mais curtas e soluções personalizadas. Em áreas como etiquetas, packaging, impressão comercial, transacional e de segurança, o digital deixa de ser complementar e passa a competir diretamente com os processos tradicionais, oferecendo maior agilidade e menor desperdício.
Automatização para responder à escassez de mão de obra
Em paralelo, ganha relevância a automatização da produção. A dificuldade em recrutar operadores especializados leva as empresas a investir em tecnologias que simplificam tarefas, reduzem a dependência de intervenção manual e aumentam a previsibilidade dos processos. A automatização torna-se essencial para assegurar produtividade, consistência e qualidade, mesmo com equipas mais reduzidas.
Redução de erros e desperdício
Outra tendência relevante é a adoção de sistemas que minimizam erros e evitam reimpressões. Em ambientes de produção de elevado volume, cada falha traduz-se em custos adicionais e perda de eficiência. Tecnologias de controlo inteligente e de ajuste automático permitem maior estabilidade operacional, redução do desperdício de materiais e proteção das margens de rentabilidade.
Manutenção preditiva baseada em dados
A utilização de inteligência preditiva na manutenção e gestão de equipamentos consolida-se como um fator crítico. A análise de dados e a aplicação de algoritmos permitem antecipar falhas, planear intervenções técnicas e reduzir paragens não programadas. Em 2026, a manutenção preditiva afirma-se como um elemento-chave para garantir continuidade operacional e fiabilidade em ambientes produtivos cada vez mais exigentes.
Serviços remotos e assistência virtual
Apesar da crescente automação, a necessidade de resposta rápida mantém-se. Por isso, os serviços remotos e virtuais ganham importância, permitindo resolver incidentes à distância e reduzir tempos de inatividade. A maior conectividade dos sistemas e a capacidade de análise de dados contribuem para aumentar a disponibilidade dos equipamentos e melhorar a experiência dos clientes.
Regulamentação e sustentabilidade
Por fim, a regulamentação europeia em matéria de embalagens e sustentabilidade surge como um dos principais motores de mudança. A aplicação do Regulamento Europeu de Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR) obriga marcas e fornecedores de serviços de impressão a repensar design, materiais e processos produtivos. A impressão digital assume aqui um papel central, ao permitir menor desperdício, maior rastreabilidade e adaptação a modelos de produção mais circulares.