A WWF Portugal distinguiu três produtores florestais no âmbito da edição de 2026 do Green Heart of Cork+ (GHoC+), atribuindo um total de 9.000 euros em pagamentos por serviços de ecossistema a projetos que promovem a gestão florestal responsável e a conservação da biodiversidade.

A iniciativa, que este ano assinala o seu 15.º aniversário, resulta de uma parceria entre a WWF Portugal, o FSC Portugal e a Jerónimo Martins, e tem como objetivo reconhecer proprietários florestais que adotam práticas sustentáveis na gestão de montados de sobro e azinho e de outros ecossistemas florestais certificados.

Os prémios foram distribuídos por três categorias distintas, destinadas a valorizar diferentes abordagens de gestão e conservação florestal.

Na categoria GHoC+ Clássico, que distingue a gestão responsável do montado de sobro e o contributo para a proteção da biodiversidade em áreas de recarga de aquíferos, o vencedor foi Bernardo Gonçalves Ferreira, da Sociedade Agrícola dos Morenos, localizada em Avis, no distrito de Portalegre.

Na categoria GHoC+ Certificação, criada para incentivar a certificação FSC da gestão sustentável de montados de sobro e azinho, o prémio foi atribuído a Francesco Emanuele Ferrari, da Herdade do Álamo e Coberta, em Azaruja, concelho de Évora.

Já a categoria GHoC+ Eco distinguiu a Comunidade Local dos Baldios de Fafião, situada no Parque Nacional da Peneda-Gerês, em Montalegre, pela implementação de práticas avançadas de manutenção, melhoria e restauro da biodiversidade em áreas certificadas pelo FSC.

Conservação e atividade económica

Ângela Morgado, diretora executiva da WWF Portugal, sublinha que a iniciativa demonstra que a proteção da natureza pode coexistir com a atividade económica. “O Green Heart of Cork+ mostra que a conservação da natureza e a atividade económica podem, e devem, caminhar juntas. Ao valorizar quem protege o montado e as florestas de sobreiro e azinheira, estamos a investir em ecossistemas únicos que garantem água, biodiversidade e sustento às comunidades locais. Estes produtores são os verdadeiros guardiões de uma das paisagens mais emblemáticas de Portugal e essenciais para construir um futuro mais resiliente e em harmonia com a natureza”, afirma.

O processo de avaliação das candidaturas contou com representantes da WWF Portugal, FSC Portugal, Jerónimo Martins, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Filcork – Associação Interprofissional da Fileira da Cortiça e Centro de Ecologia Aplicada “Prof. Baeta Neves” (CEABN), do Instituto Superior de Agronomia.

Projeto alargado a todo o país

Criado em 2011, o Green Heart of Cork é um dos projetos de conservação mais antigos da WWF Portugal e nasceu com o objetivo de proteger a maior mancha contínua de sobreiro do mundo, localizada na margem esquerda do Tejo.

Em 2025, o projeto foi reformulado e passou a abranger todo o território nacional, introduzindo novas categorias de prémio e critérios de avaliação. A iniciativa prevê atualmente a atribuição anual de pagamentos destinados a reconhecer serviços de ecossistema gerados através de boas práticas florestais.

Desde o lançamento do programa, e incluindo os prémios agora atribuídos, o Green Heart of Cork+ já distinguiu 48 projetos, distribuindo um total de 88 mil euros a proprietários e gestores florestais que contribuem para a conservação do montado, um dos ecossistemas mais característicos e relevantes da paisagem portuguesa.