A Comissão Europeia considera, numa análise preliminar, que a joint venture proposta pela UPM e pela Sappi poderá reduzir a concorrência em vários segmentos do mercado europeu de papel utilizado em produtos como revistas, livros e materiais promocionais.

A operação junta os negócios de papel gráfico da UPM na Europa e nos Estados Unidos às atividades equivalentes da Sappi na Europa, incluindo ainda parte do negócio de papéis especiais da empresa sul-africana. As reservas incidem sobretudo sobre dois segmentos: o papel mecânico revestido, utilizado nomeadamente em revistas, e o papel revestido sem pasta mecânica, presente em diferentes aplicações editoriais e comerciais. Se avançar, a nova estrutura passará a liderar este mercado no Espaço Económico Europeu. É esse aumento de concentração que está a preocupar Bruxelas. A Comissão admite que a nova entidade possa vir a ter margem para aumentar preços e reduzir as alternativas disponíveis para os clientes.

A investigação aprofundada foi aberta a 28 de abril, depois de a operação ter sido notificada à Comissão em março. Desde então, Bruxelas analisou documentos internos das duas empresas e recolheu dados e opiniões junto de clientes e concorrentes.

Com base nesse trabalho, a Comissão considera que a joint venture poderá ganhar poder de mercado suficiente para afetar preços e qualidade. Até ao momento, também não encontrou garantias de que eventuais benefícios da integração, como poupanças de custos, ganhos ambientais ou maior resiliência, sejam suficientes para compensar os riscos identificados.

A Comunicação de Objeções agora enviada não representa uma decisão final. UPM e Sappi podem responder aos argumentos apresentados pela Comissão, consultar o processo e pedir uma audiência. Bruxelas tem até 11 de novembro de 2026 para tomar uma decisão sobre a operação.