A Europa manteve uma taxa de reciclagem de papel e cartão de 76,4% em 2025, praticamente sem alterações face ao ano anterior. Os dados constam do relatório anual do European Paper Recycling Council (EPRC) e mostram que, apesar da ligeira redução dos volumes recolhidos e reciclados, o setor continua acima da meta voluntária de 76% estabelecida para 2030.
O relatório abrange os 27 Estados-membros da União Europeia, o Reino Unido, a Noruega e a Suíça, considerando diferentes tipos de produtos, desde papéis gráficos e embalagens até papéis tissue.
Ao longo de 2025, foram recolhidos e reciclados 53,9 milhões de toneladas de papel e cartão, menos 0,3% do que no ano anterior. Também o consumo registou uma ligeira quebra, de 0,4%, situando-se nos 70,5 milhões de toneladas. Como a redução foi semelhante nos dois indicadores, a taxa de reciclagem acabou por se manter estável. O EPRC reviu os dados de 2024, corrigindo a taxa anteriormente divulgada de 75,1% para 76,4% e é este último valor que serve agora de referência para a comparação anual.
Olhando para os últimos anos, a evolução não tem sido totalmente linear. Em 2023, a taxa de reciclagem tinha alcançado os 79,3%, descendo posteriormente para os atuais 76,4%. Apesar desta oscilação, o setor mantém-se acima do compromisso assumido para o final da década.
Exportações de papel recuperado cresceram 13,9%
Um dos dados mais relevantes do relatório diz respeito ao destino do papel recuperado. Embora a taxa global de reciclagem se tenha mantido, nem todo o material recolhido foi processado nas fábricas europeias.
Em 2025, a indústria da região utilizou 46,3 milhões de toneladas de papel recuperado, o equivalente a uma taxa de reciclagem interna de 65,8%. Já as exportações líquidas para mercados exteriores à região atingiram 7,5 milhões de toneladas, mais 13,9% do que em 2024.
Estes volumes representam cerca de 14% do papel recuperado, mostrando a importância que os mercados externos continuam a ter para o escoamento deste material.
A Índia, a Indonésia, o Vietname, a Malásia e a Tailândia figuram entre os principais destinos das exportações europeias. A China, que durante muitos anos foi um dos grandes compradores mundiais de papel recuperado, praticamente deixou de ter expressão neste comércio.
A diferença entre a taxa global de reciclagem e a reciclagem realizada dentro da própria Europa é, por isso, um dos aspetos a considerar na análise do setor. Os resultados mostram que uma parte do papel recolhido continua a depender da capacidade de transformação instalada fora do mercado europeu.
Embalagens de papel e cartão continuam à frente dos outros materiais
No segmento das embalagens, o papel e o cartão mantêm uma posição de destaque entre os materiais reciclados na União Europeia.
Os dados do Eurostat relativos a 2023, citados no relatório do EPRC, apontam para uma taxa de reciclagem de 87% nas embalagens de papel e cartão. O valor compara com 77,2% nas embalagens metálicas, 74,9% no vidro e 41,7% no plástico.
A evolução também é visível na distribuição dos resultados pelos diferentes países. Em 2025, vinte dos países europeus analisados apresentaram taxas de reciclagem de papel superiores a 70%, quando no ano anterior eram dezassete. Em sentido contrário, o número de países com taxas inferiores a 60% diminuiu de cinco para três.
Outro indicador destacado é o número de vezes que as fibras de papel voltam a ser utilizadas. Na Europa, cada fibra passou, em média, por 4,2 ciclos de utilização e reciclagem em 2025, um valor superior à média mundial de três ciclos indicada para 2024.
Melhorar a recolha e a reciclabilidade continua a ser uma prioridade
Apesar de a taxa europeia se manter acima da meta estabelecida para 2030, o relatório identifica vários desafios para os próximos anos. Entre eles estão a melhoria dos sistemas de recolha seletiva, a redução da contaminação dos materiais recuperados e o desenvolvimento de produtos que possam ser reciclados de forma mais eficiente.
A qualidade das fibras disponíveis é particularmente importante para a indústria, uma vez que influencia a sua utilização na produção de novos papéis e cartões. Uma separação mais eficaz dos resíduos e a redução da presença de materiais indesejados podem contribuir para melhorar o aproveitamento da matéria-prima recuperada.
A conceção das embalagens também ganha peso nesta discussão. A crescente utilização de estruturas com diferentes materiais, revestimentos e tratamentos de superfície coloca desafios aos processos de separação e reciclagem, exigindo soluções que tenham em conta o destino dos produtos após a utilização.
A estas questões junta-se a evolução da legislação europeia. O Regulamento Europeu de Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR) estabelece novas exigências em matéria de reciclabilidade, identificação de materiais e conceção das embalagens, com implicações diretas para fabricantes, transformadores e empresas de gestão de resíduos.
Criado em novembro de 2000, o European Paper Recycling Council reúne organizações de diferentes segmentos da cadeia de valor do papel, entre as quais a Cepi, a INTERGRAF e a INGEDE, além de associações ligadas às embalagens, aos envelopes e aos produtos tissue.
O compromisso atualmente em vigor prevê alcançar e manter uma taxa de reciclagem de pelo menos 76% até 2030, acompanhada de objetivos relacionados com a prevenção de resíduos, o ecodesign e a melhoria da reciclabilidade.